Alimentação intuitiva: menos regras e mais saúde
- Dani Pini

- 22 de mai. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de mai. de 2022
A nutrição pode ser definida como um processo biológico em que nosso organismo assimila os nutrientes vindos dos alimentos para realizar suas diversas funções. Infelizmente, algo que é tão natural e fisiológico, vem sofrendo de um "terrorismo nutricional". Os alimentos passam a ser classificados entre “bons” ou “ruins”, "saudáveis" ou "não saudáveis", um conceito que se pauta na presença ou não de nutrientes. Deixa-se assim de entender o alimento de forma integral, passando a julgá-lo de modo reducionista, em que o alimento só tem valor se tiver uma "funcionalidade" no corpo.
Felizmente, contrariando esta visão, surge uma nova abordagem nutricional - chamada de Intuitive Eating ou Comer Intuitivo - baseada em evidências científicas de que somos dotados de uma sabedoria interna que nos permite confiar nos sinais do nosso corpo quando o assunto é comida. Nesta abordagem passamos a prestar mais atenção e confiar em nossos sinais fisiológicos para atender nossas necessidades alimentares. O Comer Intuitivo, um dos fundamentos do Programa Comer Consciente, desconsidera e desaconselha a prática de dietas para mudança de comportamento.
O Comer Intuitivo leva em consideração 10 pilares - que foram postulados por duas nutricionistas americanas Evelyn Tribole e Elyse Resch.
Neste texto falaremos sobre o décimo pilar: NUTRIÇÃO GENTIL.

Como tornar a nutrição mais gentil em nossa vida, agregando-a ao nosso dia-a-dia?
Em primeiro lugar, é importante entender que a Nutrição deve ser entendida como orientação e não como REGRA. A grande questão aqui é: como fazer isso na prática?
Pensar na composição nutricional do alimento é importante. Ainda assim é necessário desenvolver uma relação mais flexível na maneira que interpretamos a orientação nutricional, analisando por exemplo se a orientação dada consegue ser aplicada no seu contexto alimentar.
A orientação comumente dada por nutricionistas é "prefira alimentos integrais aos refinados". Sabemos que o arroz integral é nutricionalmente mais completo de nutrientes como fibras, vitaminas e minerais do que o arroz branco. Quando avaliamos isso como REGRA absoluta na alimentação, significa que todas as pessoas deveriam trocar o arroz refinado pelo integral. Apesar disso, sabemos que na prática não funciona bem assim. Se você tem essas regras muito rígidas, comece perguntando-se:
1- É importante comer um alimento (arroz integral no nosso exemplo) mesmo que eu não goste?
2- Se não fizer essa substituição (no caso do arroz branco para o integral), minha alimentação ficará mais pobre em fibras, vitaminas e minerais, já que o arroz integral é nutricionalmente mais às pra você completo?
3- Posso conseguir esses nutrientes em outros alimentos do meu prato que eu goste: como feijão ou legumes?
Estas e outras perguntas, nos ajudam a fazer nossas escolhas alimentares de modo mais consciente e flexível. As orientações nutricionais não podem ser regras absolutas! Elas são feitas para uma população ampla, então precisamos saber discernir se cada uma das orientações cabe na sua alimentação. Neste sentido, é importante analisar seu contexto alimentar em particular, afinal cada uma de nós é única.
Se você decide comer mais legumes e verduras, por compreender que são alimentos ricos em antioxidantes e fitoquímicos (necessários à saúde), busque formas de incluí-los de forma prazerosa no seu prato.
OLHE PARA A ORIENTAÇÃO NUTRICIONAL E VEJA SE ELA CABE EM SUA VIDA - avaliando em que momento e se cabe ou não colocar na sua rotina!
AVALIE SE A ORIENTAÇÃO NUTRICIONAL FAZ SENTIDO PARA VOCÊ:
1- Avalie se essa orientação é verdadeira e cientificamente comprovada. Em caso de dúvidas, consulte uma nutricionista.
2- Avalie se ela cabe na sua vida...em qual contexto?
3- Avalie se é prazeroso (uma opção para quem quer incluir legumes, poder ser incluí-los no lanche à noite, por exemplo)
4- Avalie de que forma tornar essa orientação ser prática. Se for necessário muito tempo para preparar, então uma opção é fazer no final de semana que temos mais tempo! Ou se quer comer vegetais pode agregar aos poucos (folha de alface no sanduíche por exemplo).
A flexibilidade ajuda você a ter uma relação mais fisiológica e, portanto, mais saudável com a comida. As melhores decisões alimentares ainda são aquelas que fazemos ouvindo nosso corpo, e que nos nutrem de saúde e amor.









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