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Cuidar de mim: quero, preciso... por que não consigo?

  • Foto do escritor: Juliana Graminho
    Juliana Graminho
  • 15 de jan. de 2021
  • 6 min de leitura

Atualizado: 24 de abr. de 2023

Uma queixa frequente com que me deparo no consultório é a dificuldade que as pessoas têm de cuidar de si mesmas. Elas querem muito praticar exercícios, melhorar hábitos alimentares, perder peso, ter tempo para si, meditar, etc. – sem êxito. Sabem exatamente o que precisa ser feito, querem fazer, já tentaram iniciar várias vezes, e simplesmente não conseguem pôr em prática ou dar continuidade. Por isso inicio nossa reflexão com a pergunta, por que é tão difícil cuidar de mim?

Então, vamos aqui pensar juntos o que tem nos impedido de praticar o autocuidado?

Psicologicamente falando, a dificuldade de cuidar de si pode ser resultado de alguns pensamentos disfuncionais - aqueles que vêm a nossa cabeça automáticos, quase imperceptíveis, e contrários ao nosso desejo inicial de nos cuidarmos.

Avalie se você já se pegou pensando mais ou menos assim:

  • “Não mereço cuidar de mim, porque não terminei todo o trabalho”,

  • “É difícil deixar minha família para fazer algo por mim, sem me sentir egoísta ou culpado(a)”.

  • “Com tanta coisa para fazer, não sobra tempo para me cuidar”,

  • “Estou tão cansado(a) que não tenho energia para fazer algo por mim”,

  • Antes de cuidar de mim, preciso arrumar todo o resto”

  • “Cuidar de mim é frescura ou desnecessário, eu aguento”,

  • “Tenho receio de parar para descansar e depois não conseguir voltar ao ritmo normal”,

  • Só me sinto boa suficiente se fizer meu máximo, mesmo que isso me esgote.

E tantos outros pensamentos (se você quiser compartilhar o seu, mande abaixo nos comentários que respondo).

Se você se reconhece em algum desses pensamentos pode estar sendo influenciado pelo que chamamos de Compulsores. Muitas e muitas vezes, esses pensamentos minam nossa energia e, consequentemente, nossos planos de autocuidado – sem nem sequer nos darmos conta. Quanto menos consciência sobre a existência destes Compulsores, maior a força com que nos afetam. Eles influenciam nossa forma de agir de maneira fixa, persistente e compulsiva. Ao conseguir flexibilizar um "Compulsor", ele torna-se um "Permissor" – o que é positivo, pois nos traz força motriz, potência e equilíbrio para nossa vida.


Conheça os Seis Compulsores

Confira abaixo cada um dos 6 Compulsores, e veja de que forma eles podem nos afetar negativamente e qual antídoto (ou Permissor) para cada um:


1. Seja Perfeito: quando a pessoa está sob a influência desse Compulsor não se permite descansar enquanto não sente que está tudo perfeito. Como a perfeição é algo inatingível, já que há sempre o que se possa melhorar, a pessoa não consegue conter seu impulso de cobrar cada vez mais de si mesma e dos outros. Esta necessidade de sentir-se perfeita pode levar a pessoa a abandonar seus objetivos para não enfrentar suas limitações ou a frustração de não atingir a perfeição. Ocorre, por exemplo, quando a pessoa quer fazer uma atividade física, mas acaba não fazendo para não se frustrar com seu baixo condicionamento físico inicial. Recomenda-se adotar uma postura compassiva e conscientizar-se de que a melhoria vai acontecer gradualmente. Deve focar mais nos acertos e pequenos avanços, não somente nos erros e dificuldades, o que melhorará a auto-estima e diminuirá a ansiedade e a insegurança. Seu Permissor é “procure fazer tão bem quanto possível, mas não precisa ser perfeito”.


2. Seja Forte: sob a influência desse Compulsor a pessoa tem receio de mostrar suas emoções e fraquezas aos outros, e até de reconhecê-los para si mesma. Considera-se auto-suficiente e dificilmente pede ajuda. Esse Compulsor aparece quando a pessoa pensa que não necessita parar para se cuidar, porque imagina que precisa ser tão forte, a ponto de não se permitir cansaço, descanso ou parada. O Permissor aqui é poder sentir, aceitar e expressar os seus sentimentos. Está tudo bem sentir medo, raiva, angústia – você não é fraco por tê-los, apenas humano. É permitido mostrar as dificuldades, afinal ninguém é inabalável e sempre temos algo que aprender na vida – independentemente de posição social, financeira, idade, experiência ou formação.

3. Seja rápido: quem é influenciado por este Compulsor quer terminar todas as coisas rapidamente, em um ritmo incompatível com sua capacidade. É impaciente e considera planejamento uma perda de tempo. Costuma acelerar tanto que se cansa e não consegue atingir seus objetivos. A pessoa quer ver resultados imediatos (na academia ou na reeducação alimentar, por exemplo), pois tem medo de não ter persistência para levar essas práticas por muito tempo. Neste caso, o ideal é refrear o impulso inicial de querer fazer “tudo agora”, para ter energia de modo a ir fazendo gradualmente. O Permissor, neste caso, é aceitar que toda mudança requer processo, respeitando o tempo necessário para realizar as atividades.


4. Seja esforçado: quando sob a influência desse Compulsor, a pessoa acha que precisa de um esforço muito grande para conseguir fazer as coisas. Inicia, mas logo desiste. Mantém o foco nas dificuldades, assim não está aberta para novas estratégias que facilitariam seu caminho. Está constantemente recomeçando na busca de uma fórmula “mágica” para resolver seu problema, sem antes ter buscado contornar as dificuldades que se apresentam. Aqui o Permissor aqui é ser determinado (ao invés de esforçado), buscando formas mais fáceis de executar suas tarefas e metas (ao invés de abandoná-las), comemorando a cada pequeno avanço e avaliando seu sucesso pelo resultado concreto, não pelo esforço.


5. Seja agradável / Agrade aos outros: neste Compulsor a pessoa sente-se responsável em fazer com que os outros se sintam bem. Sente grande medo de rejeição, e acha que agradando o outro será bem aceita. Possui grande dificuldade de dizer NÃO e permite que seus limites sejam invadidos, como forma de buscar ser aceito. Queixa-se bastante, como que reivindicando reparação dessa invasão (que ela própria permitiu). A pessoa decide cuidar-se para agradar os outros, não para seu benefício próprio; assim, abandona o plano por qualquer pequeno motivo – inclusive por alguma desavença com quem estava tentando agradar. O Permissor aqui é dar-se conta de que por mais esforço que haja não agradará a todos, e que não é responsável por tudo o que as pessoas pensam, fazem ou sentem. E é importante aprender a expressar o que lhe desagrada e não modificar tanto o que faria originalmente com medo de desagradar. É importante “blindar” o excesso de interferência externa, pois tentar atender todas as expectativas alheias, ao invés de ajudar, acaba travando ainda mais.

6. Agrade-me: sob influência deste Compulsor a pessoa acredita que os outros têm o dever de agradá-la ou cuidá-la. Necessita sentir que gostam dela, quer que adivinhem o que precisa, e que ajam exatamente como ele espera (muitas vezes sem ter dito o que quer, espera ou precisa). Dificilmente toma iniciativa sozinha, pois acaba ficando dependente de iniciativa e estímulos externos. A pessoa não cuida de si porque acha que haverá sempre alguém para lhe cuidar, não necessitando, portanto, de autocuidado. O Permissor aqui é saber que não depende dos outros para atender às suas necessidades e pode conduzir sua vida com autonomia.

É normal utilizarmos dos Compulsores em algum momento da vida, já que são socialmente aceitos. O problema é quando não conseguimos ser flexíveis, agindo fixamente conforme determinado Compulsor. Para todos estes casos, a permissão interna é o caminho para flexibilizar e escolher a opção mais construtiva e energizante para cada situação. Além disso, como falamos, tomar consciência de quais desses Compulsores estão atuando no momento pode ajudar a atenuá-los. E assim, podemos ir movendo a rotina gradualmente, incluindo atividades de autocuidado que melhoram a saúde física e mental – até conseguirmos criar um estilo de vida melhor e sustentável.

Além dos Compulsores, há outros fatores conscientes e inconscientes que podem contribuir para a dificuldade de cuidar de si, como a resistência ao processo da mudança por exemplo.

Resumindo, autocuidado é a grande fórmula que mantém nossa saúde física, mental e emocional. Assim, precisamos realmente encontrar caminhos de realizá-lo, pois como dizia Henfil: “Viver é uma tarefa urgente!”.

Importante! Se estiver ocorrendo dificuldade importante e persistente de cuidar de si próprio – resultante de pensamentos depressivos, ansiedade intensa, desespero, dificuldades em socializar, excessos ou privações alimentares, abuso de álcool e drogas – recomendamos buscar um profissional (de psicologia e/ou psiquiatria) para avaliação e tratamento adequados. Há muitos casos que podem ser tratados e necessitam acompanhamento profissional!


No Programa Comer Consciente ® desde 2018 temos ajudado as pessoas a encontrarem tempo e energia para cuidarem de si, dos seus hábitos alimentares e de vida! De uma maneira acolhedora, compassiva, sigilosa e profissional.

Vem conosco cuidar de si também !






Referências bibliográficas


ANDRADE, Antonio. Análise Transacional para o Desenvolvimento Interpessoal. 2016


BERNE, Eric. Análise Transacional em Psicoterapia. São Paulo: Summus.


KERTÉSZ, Roberto. Análise Transacional Ao Vivo. Editora: Summus. 1987


KRAUSZ, Rosa. Homens e Organizações: adversários ou colaboradores. São Paulo, Nobel, 1989.


KRAUSZ, Rosa. Trabalhabilidade. São Paulo, Nobel, 1999.




1 comentário


Tatiane Schreiber
Tatiane Schreiber
25 de abr. de 2022

Obrigada, Ju. Muito boa essa matéria. Tati

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